A recente advertência de um vice-presidente do Google sobre a sustentabilidade de certos tipos de startups de inteligência artificial (IA) não deveria nos surpreender. Com a evolução da IA generativa, as empresas que simplesmente envolvem modelos de linguagem ou atuam como agregadores enfrentam desafios significativos. Com margens cada vez mais estreitas e pouca diferenciação no mercado, sua continuidade está em jogo.
Isso nos leva a questionar: estamos assistindo ao fim de uma era ou ao início de uma nova forma de negócio? No ambiente das startups, especialmente nas indústrias de alta tecnologia, o ritmo muda rapidamente. Muitas dessas empresas emergentes se concentraram apenas na tecnologia como seu centro de valor, negligenciando a necessidade de um propósito profundo e uma proposta de valor única.
Em minha perspectiva, esse fenômeno tem semelhanças com a obsessão por avaliações no mundo das startups: trata-se do espetáculo, não do valor real. A importância de criar capital social autêntico se perdeu em uma corrida para impressionar investidores e se destacar no teatro do sucesso empreendedor.
Reinventar-se ou desaparecer
A advertência do Google indica que as startups precisam revisitar seus modelos de negócio. Elas precisam adotar uma abordagem centrada no cliente, onde a co-criação e a compreensão profunda das necessidades sejam prioridades. Este é um chamado para integrar as pessoas e a comunidade no processo de criação de valor, deixando para trás o modelo tradicional onde um produto é imposto ao mercado.
O networking genuíno e a articulação de relações baseadas no dar primeiro podem ser a chave para essas startups. Essa abordagem requer uma mudança cultural e mental que desafie as hierarquias corporativas frágeis e abrace estruturas mais resilientes e horizontais, como redes de colaboração.
Retorno ao impacto humano
O caminho à frente não está apenas no avanço tecnológico, mas em como essas tecnologias podem potencializar as pessoas, libertá-las de tarefas repetitivas e permitir um papel mais criativo. O sucesso nesta nova era de IA depende da capacidade de uma startup para integrar seus êxitos tecnológicos em um esquema que ofereça um impacto humano significativo.
Refletindo além da mecânica do negócio, o verdadeiro ato de empreender encontra sua essência em conexões humanas autênticas. Assim, a pressão não é apenas uma ameaça; é uma oportunidade para reinventar o que significa ser uma startup de tecnologia no século XXI.












